Posição filosófica
6/21. Questão metodológica: qual é a posição filosófica da sua investigação?
 

Para responder a esta questão, escreva:

O termo específico para a posição filosófica da sua investigação (com pelo menos uma referência) ou um dos quatro termos genéricos seguintes: objetivismo qualitativo, objetivismo quantitativo, subjetivismo qualitativo, ou subjetivismo quantitativo. 


Exemplos de resposta a esta questão:

 

Definição

No software Idea Puzzle “posição filosófica” é definida como “um conjunto consistente de pressupostos ontológicos, epistemológicos e metodológicos que contextualizam a investigação metodologicamente”.

 

Introdução

A posição filosófica é importante para a sua investigação porque a contextualiza metodologicamente. Por vezes, as posições filosóficas são designadas por “paradigmas” (Burrell & Morgan, 1979; Lincoln & Guba, 2000), “posições” (e.g. Morgan & Smircich, 1980), “abordagens” (e.g. Arbnor & Bjerke, 1997) e “perspetivas” (e.g. Ackroyd & Fleetwood, 2000). De acordo com Elster (1983) todas as ciências partilham o mesmo método genérico de investigação. A principal diferença reside nos fenómenos que investigam – matéria inorgânica, matéria orgânica, fenómenos sociais, ou estética – e nas teorias que desenvolvem sobre esses fenómenos.

 

A ontologia refere-se à natureza da realidade como sendo constituída por factos objetivos ou significados subjetivos. A epistemologia, por outro lado, refere-se à natureza do conhecimento como sendo centrado em factos ou em significados. A metodologia refere-se à natureza da estratégia de investigação como sendo qualitativa ou quantitativa e apropriada para estudar factos ou significados (e.g. Lincoln & Guba, 2000).

 

Uma posição filosófica (e.g. Morais, 2010) implica consistência em termos de pressupostos ontológicos, epistemológicos e metodológicos da sua investigação. Em particular, o enfoque numa realidade objetiva (ontologia) é consistente com conhecimento centrado em factos (epistemologia) e uma estratégia de investigação qualitativa ou quantitativa apropriada para estudar factos (metodologia). Por contraste, o enfoque numa realidade subjetiva é consistente com conhecimento centrado em significados e uma estratégia de investigação qualitativa ou quantitativa apropriada para estudar significados.

 

Apesar de a realidade ser simultaneamente objetiva e subjetiva (e.g. Morais, 2010), é recomendável, por uma questão de simplicidade, que a sua investigação enfoque apenas o lado objetivo (factos) ou subjetivo (significados) do seu tema de investigação. No longo prazo, é possível tomar uma posição filosófica diferente em diferentes estudos, apesar de se considerar que os valores de um investigador (axiologia) dificilmente mudam (e.g. Burrell & Morgan, 1979). A este respeito, Zaltman et al. (1982) argumentam que um investigador tem pressupostos fanáticos, firmes, e frágeis, mas apenas os primeiros são difíceis de mudar. Por essa razão, fará mais sentido mencionar a posição filosófica da investigação do que a posição filosófica do investigador.

 

Em geral, podemos distinguir quatro posições filosóficas genéricas: objetivismo qualitativo, objetivismo quantitativo, subjetivismo qualitativo, e subjetivismo quantitativo. Tenha em atenção, contudo, que outros autores poderão designá-las de forma diferente (e.g. Burrell & Morgan, 1979; Lincoln & Guba, 2000) e propor variantes destas quatro posições filosóficas (e.g. Ackroyd & Fleetwood, 2000; Arbnor & Bjerke, 1997; Morgan & Smircich, 1980).

O objetivismo qualitativo é apropriado para desenvolver teoria sobre factos, dada a sua ênfase em descrição e em explicação, podendo ocasionalmente testar teoria. O objetivismo quantitativo é apropriado para testar teoria sobre factos, dada a sua ênfase em medição e previsão, podendo ocasionalmente desenvolver teoria. O subjetivismo qualitativo e o subjetivismo quantitativo têm a mesma ênfase que o objetivismo qualitativo e o objetivismo quantitativo, respetivamente, mas centram-se em significados e não em factos. Cada posição filosófica requer a adoção de estratégias de investigação específicas que, por seu turno, requerem determinadas técnicas de recolha de dados, técnicas de análise de dados, e táticas para atingir os respetivos critérios de qualidade científica (Creswell, 2013). 

Dicas

1.     Confirme a posição filosófica adotada pelas correntes de pensamento sobre o seu tema de investigação;

2.     Tenha em atenção que a realidade é simultaneamente objetiva e subjetiva independentemente do fenómeno investigado, mas a sua investigação é mais simples se se enfocar apenas em factos ou em significados;

3.     Tenha em atenção que cada posição filosófica implica a adoção de determinadas estratégias de investigação, técnicas de recolha de dados, técnicas de análise de dados, e táticas para atingir critérios de qualidade científica;

4.     Tenha em atenção que a adoção de uma posição filosófica é mais viável em termos de tempo e de recursos do que várias posições filosóficas em simultâneo.

 

Bibliografia

1.     Ackroyd, S., & Fleetwood, S. (2000). Realist perspectives on management and organisations. London, UK: Routledge.
2.     Arbnor, I., & Bjerke, B. (1997). Methodology for creating business knowledge (2nd edition). Thousand Oaks, CA: Sage Publications.

3.     Burrell, G., & Morgan, G. (1979). Sociological paradigms and organizational analysis. London, UK: Heinemann.
4.     Creswell, J. (2013). Qualitative inquiry and research design: Choosing among five approaches (4th edition). Thousand Oaks, CA: Sage Publications.

5.     Elster, J. (1983). Explaining technical change: A case study in the philosophy of science. Cambridge, UK: Cambridge University Press.

6.     Lincoln, Y., & Guba, E. (2000). Paradigmatic controversies, contradictions, and emerging confluences. In N. Denzin & Y. Lincoln (Eds.) The handbook of qualitative research (2nd edition) (pp.163-188). Thousand Oaks, CA: Sage Publications.

7.     Morais, R. (2010). Scientific method. In A. Mills, G. Durepos & E. Wiebe (Eds.) Encyclopedia of case study research (Vol. 2, pp. 840-842), Thousand Oaks, CA: Sage Publications.

8.     Morais, R. (2011). Critical realism and case studies in international business research. In R. Piekkari, & C. Welch (Eds.) Rethinking the case study approach in international business and management research (pp. 63-84). Cheltenham, UK: Edward Elgar Publishing.

9.     Morgan, G., & Smircich, L. (1980). The case for qualitative research, Academy of Research Review, 5(4), 491-500.

10.   Zaltman, G., LeMasters, K., & Heffring, M. (1982). Being interesting. In G. Zaltman, K. LeMasters, & M. Heffring (Eds.) Theory construction in marketing: Some thoughts on thinking (pp. 25-44). New York, NY: John Wiley & Sons.


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